segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Panacéia Perversa

Seus lábios são tão doces quanto uma doença
E sua ausência tem gosto de cura
O julgamento por trás dos seus olhos fechados
E o abraço que não me segura

A boca fechada que nunca me responde
Me pergunta agora o que há de errado
Eu não sinto mais o gosto do seu olhar
Nem vejo as cores do seu palavreado

E talvez eu goste do momento
Que precede o instante em que a alegria se dispersa
E talvez eu prefira o gosto da doença
Toda vez que a panacéia for perversa

Talvez eu prefira definhar
Do que beber o elixir de gosto amargo
Melhor saborear o tom doce da sua voz
E morrer aos poucos do seu lado

Você me atira ao fogo
E sempre espera que eu saia ileso
Mas por mais que eu abra a boca
Meu grito continua preso

Talvez por isso você não saiba da dor
E não entenda o que há de errado
É que eu nunca mais senti seu gosto
Nem entendi o seu palavreado

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

"Devo dizer,

seu toque me faz ter arrepios. Pensar em você me dá medo, e eu gosto desse medo. Gosto de você. Eu acho que deve ter algo perdido no meu coração pra você. Isso aqui passou em todos os modelos de sentimento que eu imaginei, mas não se encaixou em nenhum deles. Não sei bem como é, isso de sentimento, eu não sei. Nunca usei. Mas ainda me dá medo, tenho medo do que tem perdido aqui, e que é seu."
Não quero amor de poeta, nem quero amor de jeito nenhum. Sem poesia, sem incerteza.
(E olha que eu nem costumo gostar de segurança. Adrenalina, energia, essas coisas. Mas esse amor, esse sentimento que as pessoas falam, esse negócio que os poetas não conseguiram decidir ainda se dói ou se não dói, eu tô tentando deixar passar. Não, não quero amor de poeta. Assim, liberto.)

Com aqueles olhos, aqueles grandes olhos, ele simplesmente sorri. Ele se aproxima, ela recua. Ele tenta não se aproximar mais, mas as pernas não atendem. Estava bem, estava tranquilo e feliz. Com o ego alimentado, mas nada mais que isso passava por ele.
E aquela mulher, aquela menininha assustada, simplesmente se corroía e se destruía por dentro. Não deveria ter dito nada daquilo, e tinha aquelas esperanças (sem sentido) de que ele não tenha entendido nada. Mas ele havia entendido. Ouvido, entendido, sorrido, e vindo. Sorrindo na direção dela, e aquilo a fazia tremer. E enquanto ele pedia pra ela se acalmar, enquanto ele falava qualquer coisa que ela não queria ouvir, ela se distraía com a idéia daquilo ser um sim, mas não era. Então seus sentidos ficaram inevitavelmente presos aquele momento, e ele simplesmente a lembrava da poesia, e de como o amor seria inevitável ali. Então ela alcançou algumas palavras, que deixaram de dançar no ar e caminharam em fila até ela.
"Você pode não querer amor, mas sei que você adora poesia. Já sei, conheço seu corpo, sua mente. Te conheço por dentro e por fora. Sei que você é feita de poesia, sei que as letras e as palavras deslizam por você sem medo. No seu corpo não existe a palavra medo."

Ela quis dizer alguma coisa, quis correr e apagar aquele momento da vida dela. Não devia ter dito aquilo. Não devia ter ido até ali, mas agora não tinha mais escolha. Ela respirou, mas permaneceu (tremendo) no mesmo lugar. Aqueles trinta segundos pareciam eternos, e ela pensou em como a vida dela tinha sido jogada fora. Era verdade, ele conhecia seu corpo, a conhecia. Ela sabia, ele sabia,os dois sabiam o que sentiam, mas ninguém se importava com isso. Até o sentir sair penetrando na carne dela e contaminar todo o corpo. E ela, indefesa, pegou o telefone, trocou algumas palavras com o rapaz, e o resultado era aquele. Não se lembrava como tinha chegado ali, simplesmente parara no tempo. Renasceu, precisava daquilo. Tudo que fez em sua vida se tornou pequeno diante daquele segundo de coragem. Se arrependera, mas estava orgulhosa de si.
Parou. Olhou. Respirou novamente. E, dessa vez, ergueu os olhos pro rapaz, que não era muito atraente, só pra ela. Percorreu os olhos pelo rosto, desenhou o corpo do rapaz com os olhos. Andou dois passos, do jeito que conseguiu. E, com uma dormência insuportável no coração, abriu a boca, e ele ouviu sair daqueles grandes lábios apenas algumas palavras.
Ela pensou, ela o olhou, ela entendeu a situação, e disse: "Eu quero você, mas não quero nada disso".
Por alguns segundos, aquilo não fazia sentido racional nem pra ela. Mas, lá dentro dos seus órgãos infectados pelo amor, pôde saber que não queria, que se recusava, na verdade, a caminhar mais um passo que fosse na direção do rapaz. Pensou e, racionalmente, viu que tinha uma opção. A vida dela não iria mais se cruzar com a dele, e essa é uma daquelas histórias ruins de desamor.

(Acho que a mulher, a menina indefesa, conseguiu sentir por um segundo tudo o que os poetas sentem quando escrevem seus contos de amor. Sentiu, mas passou, e ela estava decepcionada. Pra quê amor? Não sabia, não importava, e a vida dela seguiria. Sem amor. Aquilo de amor, ela não queria. Não sabia, não sentia. Não daria mais uma gota do seu sangue por uma pitada de satisfação num mar de dor. "Se quiser esse amor, fique pra você". Sentir é para os loucos, afinal).

Sour .

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Curativo Entre Escombros

Me deixe descansar minha cabeça em seus ombros
Esquecer de tudo que já me feriu
Meu curativo entre escombros
Sol de setembro em pleno abril

Um sol que se esconde entre nuvens
Uma luz pálida e sem calor
Mais que suficiente para iluminar
A minha ilusão sem nenhuma cor

Me deixe descansar minha voz um pouco
E ficar mudo ao seu lado por um instante
Permanecer de olhos fechados apenas dez minutos
E fingir que a vida é algo distante

Pois sem vida não há morte
E se não houver morte, não haverá dor
Sem morte não há pesadelo, nem sonho
Apenas uma ilusão sem nenhuma cor...

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Talvez ou Quando

Talvez não seja hoje nem amanhã. Talvez demore, talvez nem aconteça. Mas acredite. Assim como eu, acredite no dia em que sentirá algum apreço pela imagem no espelho. Algum carinho pelo seu próprio rosto. Acredite, torça pelo dia em que uma onda de tristeza será só uma lembrança distante. Realmente distante.
Se algum dia você conseguir sentir alguma paixão, alguma não-dor, se algum dia você abrir os olhos e pensar em alguém de uma forma doce e feliz, simplesmente saia de casa e diga-o. Diga pra alguém que essa pessoa é capaz de te trazer felicidade, que ela te traz felicidade. Diga a esse alguém que você o ama. Diga agora, diga a verdade. Ou não diga mais, e espere a próxima oportunidade, frustrada e triste, diminuída e diminuindo. E não pense que não pode ficar menor, porque sempre pode. Sempre pode ser triste, sempre pode ser pequeno, sempre pode haver um sorriso nada sincero ali no meio. Aprenda que sorrir não vai apagar a tristeza. Tristeza é mais forte do que um risco, e não é uma borracha que vai apagar. Não existe nenhuma satisfação em nada disso, pelo contrário. É um dos momentos em que eu desejo com toda a minha energia, que eu imploro a quem quer que se responsabilize por isso, que me deixe completamente dormente. É a hora de pedir de volta o meu sentimento de inumanidade, do não-sentir, do não-ser, do não-saber. É a hora de trocar um problema pelo outro, como causar uma dor de cabeça para diminuir a dor do coração. Uma mera questão de distração.
Acho que não sou boa nisso. Não sou boa em distrair, em mentir, em simplesmente fingir que não há nada. Não quer dizer que eu não tente, mas cada vez que eu digo que não há nada, meu coração se convence mais de que há algo, e aí só dificulta as coisas. Eu ainda não sei lidar com a "existência de algo", simplesmente não sei "o que", "como" ou "qual" é o próximo passo. É assim que se faz uma dor de cabeça. E de coração. Falar de dores parece fácil, parece que é só vitimizar, chorar e falar qualquer bobagenzinha. Talvez seja, e provavelmente quem fala sobre isso dessa forma fala melhor do que quem realmente sente. Falar não é como sentir, falar é diferente. Para falar é só abrir a boca, quero ver abrir o coração. Mais de uma vez. Abra seu coração uma vez e, depois do vôo livre, ele vai cair em algum lugar. As vezes não é o melhor lugar. A parte difícil é se convencer a abrir o coração novamente, sabendo que ele vai voar. As portas são suas, a chave é sua. O impedimento é seu, você escolhe o que acontece.
Depois disso, podem aparecer aqueles momentos que transformam coisas simples em coisas complexas. Ou fazem coisas simples parecerem complexas. A resposta é simples, você sabe qual é a resposta. Eu sei qual é, e se fosse só falar, seria bem fácil. Mas não é a única escolha, e cada uma delas traz muitas outras, é um coração, não uma pedra. Infelizmente não é uma pedra. Você tem medo do que pode ouvir, do que pode sentir, do que pode acontecer. Prefere que não aconteça, e tem medo de querer que aconteça. Tem medo de tudo e de todo mundo, tem medo de qualquer coisa. Acho que posso sentir alguma coisa, acho que sinto medo. Acho que sinto, e não sei se quero sentir. Poderia ser fácil, poderia deixar pra trás e correr pra frente, mas acho que a gente só deixa pra trás de verdade quando dá o primeiro passo adiante. Até lá, é só especulação e palavras usadas pra se convencer que passou.
E será que passou? Talvez sim, mas não olhar pra trás não significa olhar pra frente. Não é porque eu não choro que eu estou sorrindo. Não é porque eu não amo o passado que eu consigo amar o futuro. Que eu consigo falar sobre o futuro. Que eu consigo sentir os presentes do futuro. Que eu consigo um presente. Um presente-futuro. Estar no presente te dá duas opções: você pode olhar pro futuro ou prender-se ao passado.
Olhar pro futuro é bem uma questão de se questionar sobre a próxima frase. É saber o que vai dizer, o que vai sentir, é pensar sobre, é querer. É saber sobre o que você não quer que aconteça daqui pra frente. Ao contrário do que se pensa, é preciso estar preparado pra isso. É preciso estar organizado, capaz das coisas. É preciso saber sobre você, sobre o outro, sobre o mundo e sobre o que acontece. Mais ainda, é preciso querer tudo isso. Porque saber é fácil, difícil é fazer. Escolhas erradas e certas são só escolhas. Chega o momento em que você precisa escolher, e não existe resposta certa, a única resposta é "sim" ou "não". É "dar um passo pra frente" ou "esperar o próximo passo". Pode ser só um passo. Talvez o outro também somente mais um. Pode ser que mude a trajetória, te faça diferente. É uma das coisas que você nunca vai saber se não tentar.
Ainda existe a segunda opção, ainda dá pra viver no passado. Olhar pra trás, se fechar num cômodo úmido e sufocar lá dentro. Ainda dá pra viver de sentimentos que já se foram, você sempre pode tentar lutar contra fantasmas que não pode tocar, mas isso é como cavar um buraco muito fundo. Você nunca vai chegar onde quer, simplesmente porque o seu objetivo é saber o que existe lá em cima, e você só está indo pra baixo, descendo cada vez mais, afundando em todas as impossibilidades. Ao olhar pra trás, você sempre vai sentir falta ou sentir pena, vai sentir alguma coisa que não deveria. O passado pode ser escuro, triste, anestesiante, mas, ao contrário de tudo que se pensa, também pode ser claro, bonito, leve. Mas uma coisa que o passado definitivamente é, é uma ilusão. Ele ajudou a fazer o que você é hoje, mas ele simplesmente acabou, conviva com isso. Entenda, a única coisa que se sente de verdade é um enorme torcicolo ao olhar pra trás. Isso ou um provável arrependimento por dar as costas pro futuro.
Agora, o presente. Sempre se pode viver o presente, ele é feito de coisas que vêm pra você, e a escolha é sua de viver aquilo ou não. Na verdade, o presente, nem sequer é uma escolha, já que ele é seu, quer você queira, quer não.O que provavelmente não se pensa, é que tudo isso é como um cordão umbilical no qual você está eternamente preso. Ele te puxa pro passado e pro futuro, com a mesma força, mas também te dá a energia suficiente pra dominar seu poder de escolha. E a escolha é sua: passado ou futuro. O futuro pode ser infeliz, o passado simplesmente passou. O presente nunca acaba, mas os sentimentos dele, sim. Andar pro futuro é procurar o presente, e ficar parado é simplesmente ficar pra trás. Num enorme vazio, num monte de nada.
E saiba que todo aquele medo que a gente sente no começo, é algo natural. Algo normal. Algo saudável, até se tornar imobilizante. Depois disso, ele se torna mais uma energia te puxando pra trás, te condenando ao eterno desequilíbrio. Você não precisa ficar recuado como um animalzinho assustado num canto, dividindo seu tempo entre o medo da própria sombra e a pena de si mesmo. Ou o medo do que pode acontecer. Sempre pode, sempre vai acontecer, só não se sabe o quê. E isso é só um detalhe, no fim, o que se pode saber, é o que tem vontade de fazer algo, que você pode realmente fazer. O que você precisa saber é que seu coração não é uma pedra. (In)Felizmente(?). O que você precisa saber, é que escolhas são sempre difíceis, é sempre difícil deixar a parte segura da sua vida pra trás. Mas tem que ser feito. Pode ser cedo ou tarde, você escolhe. Ou a vida escolhe por você.

Sweetie .

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Claustro

Da forma que você segue, você apenas se esconde
Continua fugindo, mas nem sabe pra onde
Abre seus olhos, mas ainda fecha as mãos
De peito aberto, você fecha o coração

Agora se entregue sem hesitar
De uma só vez a toda sua crença
Absorva tudo que o amor pode lhe passar
Até mesmo a sua doença
É ela que sustenta
O que a sua cabeça pensa


Você se fecha em um claustro, uma prisão de medo
Apaga a luz e ainda diz que é muito cedo
Respira esse ar viciado com a janela fechada
Diz que está tudo bem, mesmo com tudo errado

Agora se entregue sem hesitar
De uma só vez a toda sua crença
Absorva tudo que o amor pode lhe passar
Até mesmo a sua doença
É ela que mantém
A sua diferença


Não é rápido, nem indolor
E não importa o tempo que for
Será para sempre

Mais que apenas uma cicatriz
É a marca que você nunca quis
A queimadura que você não entende

Uma luz em preto e branco
Muitas lágrimas sem pranto
E pouca coisa sobra

Mas tudo volta a ser colorido
E pelo pouco que era sabido
A vida te cobra

Agora se entregue sem hesitar
De uma só vez a toda sua crença
Absorva tudo que o amor pode lhe passar
Até mesmo a sua doença
Ela será seu ganho
Mesmo que você não vença

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Querido Amigo Real,

Obrigada por também estar aqui, como se fosse só imaginação. Por cuidar de mim tanto quanto qualquer coisa que eu imagine, mais do que eu, mais do que eu imaginaria. Por ser mais real do que deveria, por me deixar sentir um amor que atravessa espaços e tempos, por realmente me fazer acreditar... por me fazer ter certeza de que sei como é ter o amor (torto) de alguém, mesmo que ele seja diferente do que os outros achem. Por me entender, por entrar na minha cabeça e saber. Saber mais do que eu, me deixar confortável pra saber das coisas.

Meu real amigo imaginário, uma vez eu me perguntei se você era de verdade, questionei se não poderia estar te acrescentando, te mudando e te sentindo de um jeito que não é verdade. . Algum tempo depois, eu vi que estava errada, e vi que não importa. No fim, realmente não importa. Perto de você, que é real, nada importa. Só a gente, só coisas nossas, só o nosso mundo (que é só nosso).

Obrigada por ser, na maioria das vezes, o que eu preciso e o que eu quero. Por ser uma nova perspectiva, por ser diferente, mas não um diferente comum. Sabe, não daqueles diferentes que fazem todo mundo sair e falar “hoje alguém me ama”. Ser um diferente que não interessa a mais ninguém, que só é diferente pra mim, que pra maioria do mundo é uma pessoa comum. Muito comum. Obrigada por inúmeras coisas que eu fiz, mas que só consegui por você, pelas coisas que eu sei que sou hoje, por todas as coisas que eu não sei. Obrigada pela diferença que você faz, e por me fazer sentir alguém diferente, que “você ama hoje” e que, ainda assim é comum pro resto do mundo (mesmo que diga que não deveria). Acho que é só pra dizer que me sinto bem, ou apenas me sinto de verdade com você.

Me desculpa por não ser pra você o que você é por mim. Me desculpa pelos nadas, pelos momentos em que eu não sabia o que fazer, não sabia o que dizer, ou nem sabia o quê. Me desculpa por não ter o “quê”. Por não saber se te conheço bem como deveria, por não conseguir te fazer saber o que você é na minha vida. Talvez ninguém saiba, eu não sei, porque tenho medo de pensar nisso o bastante pra te imaginar fora da minha vida, e eu não pretendo correr esse risco. Talvez tudo que você faz com que eu sinta por mim, que você tenta me convencer que eu sou, seja somente o que você é. Eu não sei quanto a mim, mas você merece metade do amor que existe no universo. Merece o amor todo, merece tudo, merece um mundo melhor que o meu. E eu não consigo fazer muito por você, só consigo te falar coisas aleatórias até você, provavelmente, se sentir desconfortável e querer ir embora. Eu não sei bem reagir as coisas, não ser falar o que deveria, como deveria. Mas sabe, meu real amigo, eu queria aproveitar e te dizer que eu entendo. Entendo tudo que você me diz, entendo como você se sente, entendo e queria, sempre, fazer algo que mudasse isso. Eu tentaria, tentaria enquanto pudesse. E faria se pudesse, e eu acho que você sabe disso. Se não sabe, me desculpa por não te mostrar o quanto você merece o mundo inteiro. Às vezes eu sou assim, não sou boa com sentimentos. Não sou boa com muita coisa, mas você me faz especial.

Queria que você pudesse me entender, que pudesse saber que alguns amores realmente existem, que amizades são feitas de amores, e que você tem pelo menos uma amizade assim. Queria que você soubesse e que você contasse. Contasse quando se sentisse triste, lembrasse que pode procurar e saber que não precisa enfrentar nada disso sozinho. Do nosso jeito torto, esquisito, a gente tem espaço de sobra um pro outro, entre um e outro. Mas não é desses espaços que afastam, são espaços que deixaram de ser obstáculos há algum tempo, e hoje são só mais uma peculiaridade no meio de todas as outras.

Eu queria fazer disso uma janela, que você abriria e daria de cara com algo bonito e verdadeiro, algo que você saberia que existia, e que estaria lá pra você depois que você fosse embora pra viver e depois, quando voltasse pra casa. Eu não sei se é bonito. Queria que fosse, queria que fosse bonito, que fosse especial, que fosse uma prova de amizade. Queria que isso não precisasse de provas, mas eu sinto que a maioria das pessoas poderia duvidar do que eu sinto, pelo jeito como eu ajo, pelo que eu falo e faço, por não ser no dia-dia o que você merece. Queria transformar essa janela em uma porta, uma porta pra você entrar em tudo que eu sinto e saber, saber de verdade, que todo esse companheirismo, essa cumplicidade, essa disponibilidade pra viver é sua, que eu sei e me esforço pra te dar isso, esse apoio, essas coisas de verdade. Queria te dar um mundo, um mundo menos imperfeito que esse nosso. Um mundo que você merece: amizade de verdade, mundo de verdade.

Acho que é isso. Talvez ninguém entenda, talvez ninguém saiba como é. Talvez ninguém se importe com nada disso, provavelmente a vida das pessoas vai seguir normalmente, e isso será mais algo como um “bom dia, eu te amo”. É, eu te desejo bons dias, e eu te amo, mesmo que ninguém entenda. Mesmo que ninguém se importe. Essa era a idéia inicial, ninguém precisava se importar, e isso não é o mais importante pra mim. Pode ser que nem você se importe muito, talvez você esteja preocupado com outras coisas e isso não seja importante. Mas eu queria que fosse, queria que soubesse que você me importa, tanto quanto eu importo pra você. Queria que soubesse que eu também quero cuidar de você, te ouvir, e ser um pouco como uma amiga às avessas que eu sei ser. Que eu só sei ser às avessas, mas tento ser do jeito certo contigo, pra você contar comigo.

Acho que é isso, não vou mais pedir que me entenda, que me desculpe, que me ouça, que saiba. Eu tenho demais de você, não posso te pedir mais nada. Mas, de alguma forma, eu fiz isso pra te pedir algo. Pra te pedir pra saber de uma coisa que existe, e que você deveria e merece saber. Os meus pedidos são de desculpas por não ser como você precisa que eu seja às vezes. O que eu peço é uma oportunidade de aprender a ser uma amiga melhor. Também quero que você não me odeie, que eu não te desgaste por esses pedidos de socorro constantes. Acho que amizade é algo assim, algo que eu aprendi com você. Algo de quando a gente aprende a ser com o outro, que a gente ensina pro outro, que a gente é, de algum jeito, a extensão do outro. Acho que é quando a gente é a defesa do outro, ou o ataque. Deve ser quando a gente ajuda o outro a saber do que ele precisa, quando a gente faz pelo outro o que ele quer, só pra ele se sentir bem. Acho que é quando essas coisas não importam, e eu quero fazer isso por você. Te ajudar como você me ajuda, te falar como você me fala, te ensinar coisas simples, como você me ensina. Ser uma amiga de verdade, mas eu ainda estou aprendendo, e essa é uma das muitas coisas que importam que eu estou aprendendo contigo. Acho que entre aprender a ser gente, aprender que a vida não é só existir, aprender que pessoas precisam de pessoas, aprender que a gente não precisa de ninguém pra ser a gente, aprender que a gente pode conseguir coisas; acho que nesse meio tempo, eu posso aprender também a te mostrar que eu sei fazer isso. Eu sei, pelo menos um pouco. Obrigada também por isso. E eu sempre repito esse “obrigada”, porque você é, muitas vezes, uma das pessoas por trás do aprendizado, do acerto e do erro, do que é necessário que exista. Você é, muitas vezes, o que eu preciso, e eu poderia de alguma forma e algum dia ser assim também pra alguém. Você merece alguém assim, e eu procuro ser um pouco disso, mas não sei se consigo. Se não for por mim, querido amigo, que seja outra pessoa. Só quero te mostrar que você merece ter um “querido amigo real” também. Que você merece muita coisa que não tem, e que é injusto que você não tenha. Mas o mundo é injusto de vez em quando, mas enquanto o mundo passa, as coisas que a gente merece vêm pra gente. Eu espero que você tenha o que merece. Rápido. Verdadeiro. Feliz. Quero que você seja e esteja feliz, agora e sempre. Quero que você continue sendo meu real amigo, e quero que você tenha pessoas pra contar, e você tem, você pode. Querido amigo real, conte comigo.

SweetFriend .