quarta-feira, 13 de junho de 2012

Nem Uma Prece

O que vocês espera quando fecha as portas e as janelas?
Ao apagar todas as luzes e acender tantas velas
Desenha sua vida através de letras mal delineadas
E assassina seu amor a punhaladas

As paredes e o teto se aproximam quando adormece
Mas quando começa o sonho, você se esquece
O mundo se apaga e tudo melhora de repente
O sangue não escorre mais da ferida que você não sente

Os erros se desintegram conforme o mundo perde a forma
E a sua vida vira aquilo em que você a transforma
Mas em alguns momentos você acorda e tudo se desvanece
E nada traz o que só você tem de volta, nem uma prece

domingo, 10 de junho de 2012

Fechada e Vazia

E lá estava ela, sentindo falta de algo, e não sabia do quê. Nesses momentos, ela sempre se sentia vazia, preenchida com uma necessidade incontrolável de ser a mulher que não era. Sentia falta de ser a menina que não era mais. Era uma mulher que não a satisfazia, disforme e trancada na casa quase vazia. Mas estava lá, e não tinha mais a mesma garra, não tinha forças pra ser quem costumava ser. Todos os anos, nas mesmas semanas, ela sentia aquele buraco ficar cada vez maior e engolí-la: sentia falta de algo, e não fazia ideia do que era.

Mais uma vez, ela estava parada diante da parede branca da casa quase sem móveis, com um ar de pobreza e miséria que ela criara, e que nunca a importou. Poucas coisas tinham importância pra ela. Pensava sempre no futuro, no que seria mais adiante. Tinha metas, tinha desejos que não se realizaram, mas que ela sabia que se realizariam. Na verdade, não sabia mais de nada, e talvez isso tivesse deixado-a sem chão. De repente, tudo naquela casa importava. Ao redor dela, as coisas faziam falta, como se dançassem num devaneio à sua frente, onde ela quase materializara os móveis na casa, algumas pessoas que cantarolavam e bebiam, brincando com a vida, e nada mais importaria. Ela se viu naquele cenário sobreposto, esboçando um sorriso que significava que tudo estava entrando nos eixos. Ela quase tocava as pessoas que sentavam nos coloridos móveis imaginários, ora doces, ora modernos. O lado bom dos devaneios era que você podia decidir aos poucos como seriam as coisas. E, também aos poucos, ela notou que não conseguia materializar os rostos das pessoas. Eram manequins artificiais, que de repente nem se moviam. Parecia mais um filme de terror, rindo às custas dela. E, naquele curto momento, aquele sorriso que a mulher dos sonhos que ela sonhava que era tinha um tom de sarcasmo insuportável. Ficava cada vez mais evidente o quão tudo nela era patético, e isso incomodava e doía.

Porque, de repente, tudo naquela casa importava. Em qualquer lugar, de repente o mundo importava de uma forma diferente. Não era sobre se importar com as pessoas, com o planeta e com o aquecimento global. Naquele momento, ela sabia que deveria fazer parte do mundo, mas ela não conseguia sentir que estava ali. Ela sentiu que era um sonho, um manequim numa casa de mentira. Ela sentiu falta. Tornou-se impossível esconder de si mesma que ela sabia o tempo todo o que lhe fazia falta. Sentia falta de cada erro que cometeu, das escolhas erradas que ela fez na vida. Não do resultado, mas do erro. Sentiu falta de si. Sentiu falta de como ela se sentiu cada uma das vezes em que foi enganada na vida. Acreditou mais uma vez que cada vez aquele sentimento acontecesse seria sempre de mentira, e que aquilo a satisfaria de qualquer forma. Não era sobre o que merecia nem o que era perante os outros. Dentro dela, a mulher sabia que não era o que diziam, e ignorava tudo automaticamente, sabendo o que acontecia dentro dela cada vez que se esforçava pra acreditar no que ouvia. Era o que era, e teve medo de nunca conseguir ser diferente, mesmo sabendo que realmente não conseguiria sair do que era naquela casa sem móveis, branca e escura ao mesmo tempo.

Fora de órbita. Era a única coisa que lhe ocorria, o único pensamento racional que conseguia ter, o único pensamento que suportava. Mesmo se sentindo fora do mundo, gostou daquele momento. Por um segundo, não pertencer ao mundo a deixava bem. Respirou fundo, afinal isso é o que ela era, a mulher fora de órbita. “Fechada para Balanço”, era a etiqueta que trazia estampada em si, mas, por dentro, era só um manequim oco numa casa decorada dentro da loja vazia.

SweetieSour .

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Será E Ferirá

Talvez possa ser por amor
Ainda que não seja
E mesmo nas vezes em que não for
Você pode ter certeza
Será...

Talvez não valha a pena
Mas também não vale desistir
E mesmo quando a voz é amena
Ela pode ferir
E ferirá...

Durará por uma eternidade
Mesmo que seja só por um verso
A poesia da pura vontade
De talvez um destino perverso
Não há sentido ou rima
Mas há sentimento
Contém um pouco da sina
E traduz um pensamento

Respira com dificuldade
O ar se tornou rarefeito
Assim como a vontade
Desapareceu do seu peito
Mas há por que se erguer
Nem a dor é eterna
Você só tem que querer
Com as próprias pernas

terça-feira, 5 de junho de 2012

Amor da Minha Morte

Depois de tudo que nos aconteceu
O que nos resta, amor de minha morte?
Pus em suas mãos todas as minhas fraquezas
Mas ainda não me sinto mais forte

O que nos falta, afinal de contas?
Eu achei que nós tínhamos tudo
Mas o vazio ainda é enorme
Por trás deste escudo

No que nós nos transformamos
Depois de tantos erros, amor da minha morte?
Muitos motivos que não seriam o suficiente
Se tornaram a cura para este corte

Não há razão para tanto pesar
E as lágrimas não merecem mais cair
Mesmo com expressões tristes
Nós acabaremos por sorrir

segunda-feira, 21 de maio de 2012

365

A passagem do tempo é algo que realmente me assusta às vezes... Acontece tanta coisa num intervalo de um ano que fica difícil pensar em apenas uma delas e perceber que se passaram 365 dias desde que ela aconteceu. Perceber que o dia que eu saí do banho com apenas duas palavras na cabeça e fui correndo pro MSN falar com essa outra criaturinha pra perguntar “topa?” e recebi uma resposta positiva já aconteceu há 12 meses me assusta.

Eu sempre tive problemas com a minha noção temporal, talvez por isso eu me sinta desconfortável em racionalizar essas coisas, mas quando se escreve da forma que nós escrevemos aqui no PP, esses parágrafos e versos acabam funcionando como uma espécie de diário, e quando se olha pra data de um post, isso fixa ainda mais a ideia de que o tempo passou. Quando eu penso onde eu estava e o que eu estava fazendo quando nós criávamos o conceito e onde eu estou hoje, a mudança se torna ainda mais palpável e assustadora, mas é isso que é a vida, não? Uma mudança constante, um aprendizado quase diário, e no dia que se para de mudar e aprender pela mudança, se morre.

No final das contas, acho que a gente escreve pra não morrer, e o PP acaba sendo a válvula de escape do nosso aprendizado, seja isso para o nosso bem ou para o mal de alguém, mas não dá pra se importar tanto com outro alguém nessa hora. E nós nunca nos importamos, esse foi o princípio mais básico estabelecido por aqui: apenas escrever, deixar sair. Agora, um ano depois dos dois primeiros posts, eu olho pra tudo isso e só penso uma palavra: orgulho. Algo completamente pessoal, mas também orgulho da minha sorte de encontrar a pessoa certa pra dividir esse mundo que é só nosso (e que só nós entendemos), apesar de nós deixarmos os outros darem uma olhada pelas frestas da janela.

Não sei se alguém vai realmente ler isso aqui, mas uma pessoa ao menos eu sei que vai. De qualquer forma, a você que nos leu até aqui, ou chegou hoje, obrigado. Mas, mesmo que ninguém leia, o mundo ainda é só nosso e só nós entendemos toda complexidade e simplicidade dele.

Parabéns, Poesias e um Mundo Só Nosso


Espero que você saiba, eu nunca te esqueci. Nunca deixei de te amar ou de saber que temos um mundo só nosso. Mas eu entrei no piloto automático, e me esqueci das coisas especiais.
Eu esqueci a minha música, a que me disse que o mundo é meu. A música que me deu o mundo, o melhor do mundo. Que me fez viajar, percorrer sentimentos que nunca pedi pra sentir (insira aqui seu sentimento). E eu trouxe o roteiro da viagem pra vocês. Mas perdi o voo. Perdi o ritmo da música. Saí de órbita do meu próprio mundo. E agora, Theodora?

Talvez eu tenha sido egoísta afinal, mesmo achando que não seria, lá, quando saí do zero. Talvez eu esteja pagando, como uma espécie de carma. Tudo ou nada, perdendo o que importa. Talvez seja isso. Talvez, talvez, talvez. Eu, eu, eu. Chame de egoísmo o que me fez fugir do mundo. Chame de amor o que me trouxe até ele. Faça o que quiser, faça o que for preciso. Depois de um ano, o meu lado doce e o meu lado amargo já tiveram seus momentos. Quando se sai do zero, alguma coisa muda. Algo precisa se mostrar.

Mas claro que tenho o que comemorar. Um ano muda muito a gente. Acrescenta, tira. Ou acrescenta tirando, vocês viram isso também. Claro que tenho o que comemorar. Não tem nada a ver com saúde, paz, felicidades ou algo assim. Não tem simpatia aqui. Tem, mas tá em falta. Sou ranzinza, sou um doce, sou um amor (ou um dia serei, talvez na próxima versão). E isso também se deve a você. Felicidades pra mim, mesmo que isso signifique a infelicidade de alguém. Acho que isso traz muitos anos de vida também, nesse mundo onde preferimos a poesia à sensatez (vide poesias). Esse ainda é o começo, é só o nosso primeiro. Porque juntos somos muitos. Somos fortes, somos bem mais que suficiente, somos o que quisermos ser. Vienna ainda nos espera, vocês não vêem? Nós mandamos no planeta. Seremos sempre Reis e Rainhas desse mundo. Um mundo coroado, que, mesmo que ninguém entenda, nós, eu, você, o Bruno e quem mais estiver aí sabemos que é, para sempre, só nosso.

SweetieSour