terça-feira, 3 de julho de 2012

Planos


Eu quero um futuro que me mantenha viva.
Um futuro que me beije os lábios e me faça sorrir
E pensar em um amanhã de sol e nuvens brancas.
Que me acaricie o rosto como o vento.
Que me tenha com um futuro inocente
de um jeito simples, doce...
e só meu.

Eu quero um futuro de possibilidades
Onde eu consiga um romance,
Um caso de amor particular;
Como uma onda salgada imaginária
que me envolva e me engula
e não me faça querer sair.

Eu quero um futuro que eu não domine
Com surpresas infinitas,
superáveis e possíveis.
Mas justo.
Com força e segurança,
Com ilusões que se tornem reais
Ou com as realidades coincidentes aos contos de fadas.

Eu quero um futuro que chegue
Com surpresas em laços de fita.
E que, no futuro, eu seja capaz de ser de amor.
Um amor feliz e revigorante,
Com sentimentos no lugar certo
E no momento certo.

Quero um futuro que me encontre na esquina,
Me olhe com esperança e sorria pra mim.
Eu quero sorte no futuro,
Ou seja lá o que for.
Quero um futuro que não dependa de ninguém.
Só de mim.
Para que, no futuro, eu largue o meu passado no passado,
E traga meu futuro pro presente.

domingo, 1 de julho de 2012

Por Dentro

A vida me questiona
Mas o espelho não quer me responder
São perguntas vazias
Que com o tempo eu vou esquecer

O tempo não me ouve
Os meus gritos não atingem o céu
A luz do sol
Cegou meu lado cruel

Uma voz me chama
O vento me guia
Mas meus pés
Não me levam aonde eu queria

A dor me encara
Minha inconsciência é insuficiente
Para me mostrar
O que se esconde em minha mente

Um corpo cai do um lado
Meu medo está calado
Meus olhos não querem se abrir
O caminho que eu ando não é o que eu quero seguir


Minhas cicatrizes me seguem
Minhas memórias não me deixam em paz
Renego o desejo de viver
O que eu fui, já não sou mais

Meus sonhos me deixaram
Meus medos ainda me acompanham
O tempo continua a passar
E os meus sentimentos me estranham

Tento enxergar
Mas a raiva me cega
Peço à vida mais uma chance
Mas ela me nega

A insanidade me governa
Sinto como se voltasse em meu caminho
Ouço vozes à minha volta
Mas sei que estou sozinho

Minha voz está baixa
Não entendo o que digo
Tento alcançar minha alma
Mas sei que não consigo

terça-feira, 26 de junho de 2012

Adormecidos

Há vozes que se calam quando tudo se apaga
E olhos que se abrem apenas no escuro
Há gritos que ficam presos no peito
Mas os sentimentos eu nunca seguro

Algumas mãos abrem cortes de propósito
Apenas por que gostariam das cicatrizes
Mas não são todos cortes que se fecham
Você os trocaria pelos momentos felizes?

Sobrou tão pouco por perto
Apenas alguns barulhos sem sentido
O coração é tão incerto
E seu grito jamais será ouvido

Há medos que permanecem à espreita
Esperando pelo momento certo de acordar
E há medos que dormem por toda vida
Mas te engolem inteiro com um olhar

sábado, 23 de junho de 2012

Vozes vazias

As vozes andam tão vazias
E mesmo com toda essa gritaria
Eu ainda não lhe ouço

Eu tento me ouvir, na realidade
E mesmo dizendo só verdades
Ainda parece muito pouco

Eu sinto falta de algum motivo
E não sei até quando eu estarei vivo
Para tentar achar algum

Já faz tanto tempo e eu mal lembro
Talvez fosse janeiro, ou talvez dezembro
Mas nós já fomos um

Um teste constante para minha sanidade
Sempre uma voz ao pé do ouvido
Um sentimento sem gosto ou vontade
Preferiria nunca tê-lo sentido

Abraçar o vento parece mais racional
Ao menos não deixaria cicatriz
Às vezes o caminho mais natural
É não acreditar no que se diz

A essa altura qualquer coisa é uma bênção
Mesmo que tenha gosto de maldição
As vozes vazias gritam no meu ouvido
E eu perco os sentidos e a audição

quarta-feira, 20 de junho de 2012

O Seu Primeiro Passo Depois do Último

Quando eu tinha cinco anos, eu me sentia parte do mundo. Não desse jeito que todo mundo sente. Parecia que o mundo era uma extensão do meu corpo, e eu o modelaria e faria dele o que eu quisesse. E eu gostava muito do mundo que eu via, então eu só aproveitava o que ele me dava. Quando eu tinha cinco anos, eu era feliz.
Hoje, crescida, parece que eu viajei pra outro planeta. Eu não faço parte do mundo, nem ele de mim. Olhar pros lados faz parecer que eu estou cercada por algo que eu não entendo. Que eu não entendo e que não me quer. Hoje tudo que eu consigo experimentar do mundo é algo sem cor e sem brilho, rígido e triste, que não se modela, colore ou convive. É impossível viver um mundo assim, parece que algo se perdeu nele. Talvez tudo que ele tenha seja pequeno demais pra preencher tudo que eu não sinto, como se eu fosse um gigante diante de todas as possibilidades, e não pudesse ter todas juntas. Cada escolha parece ser a escolha errada nesse mundo branco e preto, porque eu não o entendo mais. Não dá para “simplesmente viver”. Cada esquina que eu ando, eu vejo aquelas luzes brilhantes, que me convidam. Mas depois de tentar conviver com a vida, todas aquelas luzes só me levam a um ouro falso.
É preciso conviver com o futuro. É preciso esperar o que virá, como um cheque pré-datado. Viver é como um jogo: às vezes você perde, às vezes, ganha. E a vida é uma justa cobradora. Às vezes ela parece ter levado tudo de você, mas ela só leva embora o que você apostou. Tudo que fica parece não significar nada, mas é tudo o que você tem. Um belo dia, a vida volta com um par de dados na mão, e você pensa “porque não?”, e vai em frente. Quando você ganha, ela te traz um presente, e você precisa cuidar dele. Mas às vezes nós, seres humanos, fazemos as coisas do jeito errado. Existem coisas que você tem, mas não tem pra sempre. Existem coisas que você tem, e que nem a vida pode te tirar. Quando a vida te tira algo, é porque você pode sobreviver sem ela. Um ditado chinês diz que “não precisamos de nada quando não temos nada”. Mas nós precisamos de algo, eu preciso de algo, todos precisamos. O que eu aprendi é que, como diz o provérbio chinês, nós precisamos de algo porque, não importa o quão importante seja aquilo que lhe foi tirado, o quando doa, o quanto te mate por dentro, você ainda tem a si. Tem a imagem no espelho, e o suficiente para se reerguer. E você tem, tem aquela força quase inumana que levanta a cabeça e move um corpo que você acredita que estava vazio. Ter a si próprio é só o que você precisa pra suportar a vida, porque viver dói, viver é um risco, mas toda essa dor é só a vida te cobrando o que você deve. Pode ser que ela volte com um presente, ou não. Mas você ainda tem muita coisa em você, e muitas outras coisas pra conquistar. Hoje, talvez o mundo não faça parte do seu corpo, talvez certas coisas você não possa mudar, mas sempre poderá usá-la de um modo que te faça feliz. Mesmo que agora você não possa mudar o mundo, mas você ainda pode usar o que você tem pra conquistar o que não tem. Pode conviver com isso, se fizer as escolhas certas, ou se escolher somente viver.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Mesmo de Olhos Fechados

Será a luz no horizonte que vai lhe cegar?
Ou apenas a falta de vontade de enxergar?
Apenas abra seus olhos...

Você pode continuar culpando a escuridão
Ou tatear o caminho com as mãos
Mesmo de olhos fechados...

Sinta o medo e finja que não é nada
O sentimento desaparece se você não estiver errada


A vontade pagará pelos pecados da razão
Mas você pode ignorar essa parte do sermão
E decidir por si mesma

Deixar o cérebro ter um pouco de descanso
E a pulsação tocar o ritmo que eu danço
Ambos de olhos fechados

Sinta o medo e finja que não é nada
O sentimento desaparece se você não estiver errada
Mas eu acho que você está, então não desapareça
Eu ouço a pulsação dentro da sua cabeça

Poesia para os olhos e música para os ouvidos
Palavras seriam um exagero sem sentido
Deixe sua vontade guiar os seus passos
Em cada um dos versos que eu não faço