Quem sou eu, senão apenas mais uma boca que se alimenta da bondade?
Um mero olhar perdido no espelho, afogado e embriagado em vaidade?
Uma voz nunca ouvida em meio a toda a gritaria
Apenas uma folha caída, arrastado pela ventania
Quem mais serei eu assim que a última luz for finalmente apagada?
Um tijolo amarelo e só, pavimentando o fim da estrada?
Ou apenas uma mão ferida e ensanguentada...
Um mero pensamento que teve suas asas cortadas
Coloquei em suas mãos grande parte do que eu fui
E permiti seu julgamento sem nem ao menos questionar
E como um castelo de areia que na chuva rui
Eu lhe permiti ser o carrasco a me executar
Depositei em suas veias meu sangue, que agora é aguado
E ele corre agora fino em minhas veias frias
Não há mais batimento, meu coração está parado
E meu ódio e meu perdão são suas crias
Quem somos nós agora, senão certezas que foram desfeitas?
Promessas feitas em dias claros e descumpridas em noites imperfeitas?
Sangue derramado e crueldade enfim exposta
E o gosto agridoce que minha língua tanto desgosta
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
quarta-feira, 25 de junho de 2014
Renovação
Amor e vida choram enquanto a voz se desespera
O olhar vaga perdido e no espelho há uma fera
A fraqueza se instala, mas lágrimas são presas
Por menor que seja o pranto, é sinal de fraqueza
E você não reconhece, o rosto do outro lado do espelho é um estranho
A vida se transforma em algo apenas novo, não há perda ou ganho
Amor e vida emudecem enquanto a voz se recupera
O olhar não possui alvo e agora não é vazio o que antes era
O interior foi preenchido, finalmente compreensão
A metade da insanidade se torna uma com a da razão
E você finalmente entende, no outro lado do espelho há um estranho
A vida afinal se renova como um rio, na segunda vez é outro banho
A água se renova a cada instante e o fluxo o mantém vivo
E desaguar por fim em um oceano será seu último alívio
O olhar vaga perdido e no espelho há uma fera
A fraqueza se instala, mas lágrimas são presas
Por menor que seja o pranto, é sinal de fraqueza
E você não reconhece, o rosto do outro lado do espelho é um estranho
A vida se transforma em algo apenas novo, não há perda ou ganho
Amor e vida emudecem enquanto a voz se recupera
O olhar não possui alvo e agora não é vazio o que antes era
O interior foi preenchido, finalmente compreensão
A metade da insanidade se torna uma com a da razão
E você finalmente entende, no outro lado do espelho há um estranho
A vida afinal se renova como um rio, na segunda vez é outro banho
A água se renova a cada instante e o fluxo o mantém vivo
E desaguar por fim em um oceano será seu último alívio
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Final do Lamento
A vida se deita em seus braços
Descansa seus olhos agora pesados
E os sentimentos que causam embaraço
São finalmente deixados de lado
Ao amanhecer os olhos não se abrem
A exaustão se recusa a lhe deixar
Todos os aprendizados agora não cabem
Palavras nada puderam lhe ensinar
À tarde a mente ainda dorme
O peso da dor ainda é presente
E tanta culpa ainda disforme
Começa a tomar forma lentamente
À noite o momento de acordar
O descanso afinal terminou
A vida agora quer acordar
Entender o que se passou
Foi apenas o tempo a cura
No fim a falta é entendimento
Apenas umas poucas gotas de loucura
Para temperar o final do lamento
Descansa seus olhos agora pesados
E os sentimentos que causam embaraço
São finalmente deixados de lado
Ao amanhecer os olhos não se abrem
A exaustão se recusa a lhe deixar
Todos os aprendizados agora não cabem
Palavras nada puderam lhe ensinar
À tarde a mente ainda dorme
O peso da dor ainda é presente
E tanta culpa ainda disforme
Começa a tomar forma lentamente
À noite o momento de acordar
O descanso afinal terminou
A vida agora quer acordar
Entender o que se passou
Foi apenas o tempo a cura
No fim a falta é entendimento
Apenas umas poucas gotas de loucura
Para temperar o final do lamento
terça-feira, 3 de junho de 2014
Contrassenso
Eu te sinto na minha prosa e na minha poesia
Em cada um dos versos que sem ti nunca faria
Te sinto nos meus poros, te transpiro e te inalo
Na voz que ecoa em minha mente quando eu me calo
Te sinto na ausência de calor, sem ti é sempre frio
E sinto tua ausência em todo espaço que é vazio
Sinto falta da tua respiração, do mútuo silêncio
Sinto falta de ser tua calma apressada e de ser teu contrassenso
Em cada um dos versos que sem ti nunca faria
Te sinto nos meus poros, te transpiro e te inalo
Na voz que ecoa em minha mente quando eu me calo
Te sinto na ausência de calor, sem ti é sempre frio
E sinto tua ausência em todo espaço que é vazio
Sinto falta da tua respiração, do mútuo silêncio
Sinto falta de ser tua calma apressada e de ser teu contrassenso
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Reunindo Os Pedaços
A voz que enverga o manto do silêncio
Se derrama aos poucos quando se revela
Os olhos fechados que preferem o escuro
Enxergam melhor quando se fecha a janela
E assim segue o mundo, com escuridão e luz dividindo o mesmo espaço
Palavras quebrando o silêncio, e lágrimas reunindo os pedaços
A mão que agora acaricia seus ombros
Ainda há pouco segurava o longo punhal
As cicatrizes que agoram contam histórias
Já tiveram gosto de sangue, suor e sal
Os crimes que você já cometeu
São nada mais que pesos na consciência
E a boca que ontem lhe beijou
Agora não passa de uma reminiscência
E assim segue o mundo, com escuridão e luz dividindo o mesmo espaço
Palavras quebrando o silêncio, e lágrimas reunindo os pedaços
Os olhares que um dia julgaram
Hoje bajulam aquele que um dia foi o réu
E os pecados que lhe condenaram
Agora são a porta de passagem para o céu
As falanges que foram usadas para apontar
Agora se retraem em punhos arrependidos
E os muros que foram levantados
Apenas cercam corações que foram feridos
E assim segue o mundo, com escuridão e luz dividindo o mesmo espaço
Palavras quebrando o silêncio, e lágrimas reunindo os pedaços
Se derrama aos poucos quando se revela
Os olhos fechados que preferem o escuro
Enxergam melhor quando se fecha a janela
E assim segue o mundo, com escuridão e luz dividindo o mesmo espaço
Palavras quebrando o silêncio, e lágrimas reunindo os pedaços
A mão que agora acaricia seus ombros
Ainda há pouco segurava o longo punhal
As cicatrizes que agoram contam histórias
Já tiveram gosto de sangue, suor e sal
Os crimes que você já cometeu
São nada mais que pesos na consciência
E a boca que ontem lhe beijou
Agora não passa de uma reminiscência
E assim segue o mundo, com escuridão e luz dividindo o mesmo espaço
Palavras quebrando o silêncio, e lágrimas reunindo os pedaços
Os olhares que um dia julgaram
Hoje bajulam aquele que um dia foi o réu
E os pecados que lhe condenaram
Agora são a porta de passagem para o céu
As falanges que foram usadas para apontar
Agora se retraem em punhos arrependidos
E os muros que foram levantados
Apenas cercam corações que foram feridos
E assim segue o mundo, com escuridão e luz dividindo o mesmo espaço
Palavras quebrando o silêncio, e lágrimas reunindo os pedaços
sábado, 11 de janeiro de 2014
Espaço Vazio
Sou a voz que reclama da tua ausência
E a lágrima que não escorre
Sou o olhar vazio e a indiferença
O murmúrio onde o silêncio morre
Sou o crime que pune com a culpa
A consciência que te mantém consciente
Como fragmento de razão visto por lupa
Sou palavra repetida pela tua mente
Há algo faltando, e talvez seja o silêncio do teu sono
Reverberando nas paredes, quase um som de abandono
Há algo sobrando, talvez seja todo o espaco em excesso
Esse vazio ao meu lado, esse 1,60m que eu não meço
E a lágrima que não escorre
Sou o olhar vazio e a indiferença
O murmúrio onde o silêncio morre
Sou o crime que pune com a culpa
A consciência que te mantém consciente
Como fragmento de razão visto por lupa
Sou palavra repetida pela tua mente
Há algo faltando, e talvez seja o silêncio do teu sono
Reverberando nas paredes, quase um som de abandono
Há algo sobrando, talvez seja todo o espaco em excesso
Esse vazio ao meu lado, esse 1,60m que eu não meço
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