quinta-feira, 23 de junho de 2016

Pouco, Quase Nada

Deixo que minha alma seja arrastada pelo vento
Minhas feridas abertas até o osso conhecem o frio
A tempestade que se derrama sobre mim ao relento
Parece servir para preencher meu olhar vazio

Meus dedos já estancaram seu sangramento
Posso voltar a cavar minha própria sepultura
Meus olhos vertem lágrimas em agradecimento
Por finalmente ter encontrado a minha cura

Respiro o ar gelado e me desespero por dentro
Agora resta pouco, quase nada do que já fui
Ainda haverá vida bem depois do meu próprio tempo
Mas a mente não se aquece e a decisão não diminui

Onde haviam chamas, agora há apenas brasas ardendo
E mesmo que haja luz, os olhos já estão fechados
Não há mais o que ver, e o que eu vejo não entendo
Resta pouco, quase nada que valha a pena ser lembrado

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Testamento

Deixe minha poesia contar minhas histórias
Meus versos partidos serão minhas memórias
Como as cicatrizes entregam as feridas
Minhas cinzas serão a prova da minha vida

Minhas páginas serão meu único testamento
Meu DNA impresso em cada letra e lamento
Cada palavra contará um fragmento do meu passado
E as vírgulas dirão o que foi deixado de lado

Uma história com início e meio, mas sem fim
Afinal, o ponto final não cabe a mim

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Tingido de Vermelho

O pulso rasgado na minha boca deixa o sangue da culpa verter
Mate minha sede com vida, que de fome eu posso morrer
Com a alma dilacerada, eu me jogo em direção às suas garras
Da liberdade só me resta a solidão, e do medo, só as amarras

É um crime o que eu sinto, mas não resta mais caminho de volta
Não há arrependimento, nem descanso nem para a alma morta
Lacrimejando, encaro os olhos de um estranho no espelho
As olheiras denunciam o cansaço, e as mãos tintas de vermelho

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Morte Sem Dor

Traia o meu amor com a sua ausência
Enquanto seu olhar revela displicência
Distante enquanto sorvo seu dissabor
Afago sem carinho ou morte sem dor?

A cicatriz do corte ainda verte vida
A carne curada, mas alma ainda ferida
Aproximo meu abraço, distante é seu amor
Beijos sem vida ou morte sem dor?

Cometo o crime sem culpa de sentir a falta
Por asfixia seu abraço decerto não mata
Respiro sua distância e gelado é seu calor
Percepção sem compreensão ou morte sem dor?

terça-feira, 7 de junho de 2016

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Espaço vazio


Eu quero me esconder dentro do seu abraço,
Porque ele é o único lugar seguro e doce para mim.
Porque, dentro dele, algo me diz que posso ser quem sou
(mesmo que eu não saiba o que isso significa).

Eu quero poder ver você, me encontrar nos seus olhos;
Aqueles mesmos olhos que me fazem gelar o coração.
E, com aquele sopro frio, me sentir viva novamente,
Porque todo o calor que tenho é somente uma fuga sem fim.

Eu quero voltar a você, que é meu lar
Porque eu estava me afogando, e você era terra firme.
Porque o que eu tenho de melhor é o caminho até você
E talvez você ainda sinta que sou real.

Em algum momento, você me disse isso, que eu era seu apoio.
Que era a única a estar ao seu lado, e ainda estou.
Talvez não a única, provavelmente era só uma muleta.
Que te dava energia quando o mundo drenava de ti.

Um dia você disse que eu havia te tirado de uma vida automática.
Com objetivos, mas sem viço
Que eu te salvei de ser um "fracassado rancoroso".
E o que isso faz de mim?

Mas esse foi o grande erro,
Isso não é sobre o que se sente, mas sobre o que se pode ter.
E eu sou apenas alguém que você não tem
E é por isso que você me quer tanto.

O erro foi todo meu, e eu preciso consertar sozinha.
Construí um lugar pra você, mas você nunca esteve aqui.
E agora é apenas um espaço vazio, com o ar de deboche.
Você discordaria de mim, mas as suas ações, não.

SweetieSour