Considerando o tempo que usamos pra viver
Não existe divisão para o tempo
As horas estarão sempre a correr
E a vida não é eterna.
No sentido de viver
O calendário é só uma desculpa
Para não viver o agora.
O tic-tac anuncia quantos sorrisos deixamos para amanhã
E quantos beijos você não teve tempo de dar.
A sua agenda está lotada de coisas que não te satisfazem,
É o preço a se pagar pelo tempo que passa.
Melhor marcar a diversão pro sábado que vem
Pois considerando o que você não fez ontem
Hoje ainda há muito a fazer.
Talvez amanhã haja tempo para sonhar
Porque quando o sol nascer, será hora de acordar.
Essa algema com ponteiros em seu pulso
Determina quando e aonde você vai.
E enquanto ele corre tranqüilo, você corre desesperado.
Olha, aquilo lá na janela... não é a sua vida?
Está com as cores que você escolheu nos seus poucos sonhos.
Mas ela não espera por você:
Acho que ela também usa relógio.
P.S: Considerando o seu fim não anunciado, quanto tempo você usou para viver?
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Outro Olhar
Sinto suas últimas palavras em minha boca
Como o último beijo que você não me deu
E eu não quero e nem espero
Entender aquilo que você não entendeu
Era tudo sem sentido e sem nexo
Mas tudo encontra seu lugar agora
Tudo parece se encaixar e eu recupero o ar
Depois que todos foram embora
Com as luzes apagadas e a porta fechada
A paisagem se torna mais clara
E, sob a luz de velas, eu vejo pela janela
O erro que nenhum de nós repara
Estávamos errados, ninguém tinha razão
Mas ainda assim insistíamos no erro
E minha cabeça ainda acha que a sua voz baixa
Soava ensurdecedora como um berro
Talvez em outro momento, ou mesmo outra vida
Nós acabemos nos encontrando
Talvez outro lugar, mas com outro olhar
Pois o olhar que você responde não é o que eu mando
Como o último beijo que você não me deu
E eu não quero e nem espero
Entender aquilo que você não entendeu
Era tudo sem sentido e sem nexo
Mas tudo encontra seu lugar agora
Tudo parece se encaixar e eu recupero o ar
Depois que todos foram embora
Com as luzes apagadas e a porta fechada
A paisagem se torna mais clara
E, sob a luz de velas, eu vejo pela janela
O erro que nenhum de nós repara
Estávamos errados, ninguém tinha razão
Mas ainda assim insistíamos no erro
E minha cabeça ainda acha que a sua voz baixa
Soava ensurdecedora como um berro
Talvez em outro momento, ou mesmo outra vida
Nós acabemos nos encontrando
Talvez outro lugar, mas com outro olhar
Pois o olhar que você responde não é o que eu mando
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Não Sei se Quero Conjugar
O verbo dizer.
Pra não ter que dizer que amo se não amar,
Pois espero poder calar quando não puder falar,
Pra não ter que dizer qualquer coisa que vá machucar.
O verbo amar.
Porque quando a gente sente muito, o outro não deixa de amar,
Aí fica tão difícil aguentar
Que a gente acaba conjugando verbos que não quer conjugar.
O verbo calar.
Porque se eu me calo, só me resta a ação,
O corpo quer dizer sim, mas a mente diz que não,
E depois a gente reclama das coisas como elas são.
Pra não ter que dizer que amo se não amar,
Pois espero poder calar quando não puder falar,
Pra não ter que dizer qualquer coisa que vá machucar.
O verbo amar.
Porque quando a gente sente muito, o outro não deixa de amar,
Aí fica tão difícil aguentar
Que a gente acaba conjugando verbos que não quer conjugar.
O verbo calar.
Porque se eu me calo, só me resta a ação,
O corpo quer dizer sim, mas a mente diz que não,
E depois a gente reclama das coisas como elas são.
Sweetie ?
sábado, 17 de setembro de 2011
O Mundo Que Lhe Criou
Você não sabe o que esperar da vida
E por isso se fere
Mas toda vez se pergunta
Por que o mundo não interfere
Por que ninguém segura sua mão?
Ninguém lhe impede
De aceitar as consequências
Daquilo que você não mede
Parece que ninguém lhe escuta
Mesmo quando você grita
Só ela está sempre com você
A dor é sua única amiga
Mesmo não a suportando
É ela que segura sua mão
Impede que você arranque
O seu próprio coração
Perdoe suas próprias falhas
E se entenda pelo que você não é
O mundo que lhe criou
Não é o mesmo que lhe sustenta de pé
E por isso se fere
Mas toda vez se pergunta
Por que o mundo não interfere
Por que ninguém segura sua mão?
Ninguém lhe impede
De aceitar as consequências
Daquilo que você não mede
Parece que ninguém lhe escuta
Mesmo quando você grita
Só ela está sempre com você
A dor é sua única amiga
Mesmo não a suportando
É ela que segura sua mão
Impede que você arranque
O seu próprio coração
Perdoe suas próprias falhas
E se entenda pelo que você não é
O mundo que lhe criou
Não é o mesmo que lhe sustenta de pé
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Querido Amigo Imaginário,
Obrigada por estar aí do lado. Me olhando, me cuidando. Me ajudando a acreditar que serei querida por uma criatura viva um dia.
Antes que você se rebele querido amigo imaginário, saiba que não falo desse querer com o qual você me quer. Falo de outros quereres, outros beijos, outros abraços, outras intenções. Outros fins, outros banhos de chuva, outros sonhos ao dormir junto. Saiba querido amigo, que meu desejo de "eu te amo" é um pouco diferente nesse momento. E isso não me faz tão bem quanto parece, como você deve imaginar. E não faz mesmo. Ainda estou decidindo se gosto ou não dessa esperança, se acredito ou não nela.
Ainda bem que você existe, meu querido amigo. Ainda bem que tenho você pras minhas palavras soltas, pros meus risos sem fim(ns), pros meus desejos malucos, pras minhas insônias. Ainda bem que você existe pra me amar de alguma forma, mesmo que não seja "daquela" forma. Ainda assim eu me sinto querida, me sinto gostada, me sinto bem por isso. Sem fronteiras, sem motivos, sem questionamentos. Apenas sentir. E bem.
Talvez, querido amigo, você se pergunte por que você não me ama. Eu te criei, eu te alimentei, eu te fiz (e faço) real. E porque não alguém que me ame?
Sabe meu querido amigo, eu queria alguém pra conquistar. Alguém que quisesse ficar comigo, e ficar feliz com isso. Entenda meu bem, mas não me entenda mal. eu gosto de você, estou satisfeita demais contigo. Você me orgulha, me faz bem. Sempre e sempre. Não queria uma conquista de troféu, não queria uma conquista de ego e orgulho. Não quero uma conquista que me diga sobre o "poder fazer". Eu quero uma conquista além da pele, do cheiro, do olhar. Também isso, mas a conquista do estar junto sem por que.
Mas a verdade, meu querido amigo imaginário, é que essa existência de um amigo-amor é coisa da minha cabeça. Um amor imaginário, um sonho diário. Uma coisa qualquer. Sabe, querido amigo imaginário, seria bobagem pensar em um amigo-amor, criar um amor só meu. Seria uma coisa... Uma coisa. Uma daquelas que a gente perde o controle e cria uma criatura que, definitivamente, não vai fazer bem a ninguém. Eu não quero criar um querido-amante-sofrimento-real, eu só quero... Sorrir.
É, eu sei, querido pensamento doce, que amizades sempre podem ser amores. Que amores são também amizades. São paixões de pele, de carne e osso, de querer grudar no outro até não sair mais... Sei, sei que tudo isso fica melhor com amizade. Mas eu já tentei, querido amigo imaginário, eu tentei. Deus é testemunha, se ele existir. Eu fiz de tudo, passei por todas as etapas. E sofri, mas pulei a fase do "amor". Já ele, meu querido amigo, já ele simplesmente parou na fase da pele. Na fase do toque, que eu nem sei se significou algo pra ele.
Sabe querido amigo, até que superei. Até que consigo deixar isso pra lá, até que consigo viver sem isso. Até que aprendi a conviver sem saber se fui algo, se conseguiria ser algo. Não pra ele, mas pra qualquer um. Pra ele também, porque não?
É meu querido amigo imaginário, eu vim aqui pra desabafar contigo, pra te alugar só mais uma vez. Vim pedir clemência, vim pedir pra você não me odiar por isso. Olho, eu te amo, meu amigo. Amo você, com um monte de forças, com tudo que eu lembro que tenho. Mas amigo, não é esse amor que eu quero ter, não é esse amor que eu quero dar. Meu querido amigo, eu agradeço todos os dias por você não ir embora. Ao contrário do que você pensa você é a maior e mais poderosa criatura que eu conheço, e pode sim ir embora quando quiser. Mas não faz isso, por favor. Eu não ia gostar. Nem quero saber se aguento, não quero pensar nisso.
Querido amigo imaginário, eu acho que por hoje chega, não quero abusar de você e da sua paciência. Não quero te alugar com todo esse sentir inútil. Não quero destruir o seu humor com esse coração oco que eu tenho. Não vou te pedir um coração, querido amigo imaginário, não vou te pedir nada. Nem posso, nem devo. Querido amigo imaginário, eu só quero que fique. Eu sei que posso esquecer todo esse falatório sobre amores e a falta deles. Sei que posso ser assim, sei que posso amar, sei que, algum dia, posso falar tão bem quanto você sobre isso. Quando eu conseguir falar de saudade como você, quando eu conseguir tirar esse resto trucidado de animal sofrido, quando eu trocar isso e preencher aquele pedaço destinado a um coração que sente você vai me amar de verdade, querido amigo imaginário? Você vai sentir saudades, vai me querer perto de você? Vai me ajudar com amores e com dores?
Querido amigo imaginário, eu espero poder amar, espero poder sentir um dia. Espero poder cuidar de você e te fazer rir sem ser com cócegas. Espero que você saia da minha cabeça e se torne alguém concreto, alguém de beijar, alguém de sentir, alguém de abraçar e dormir junto. Enquanto isso, amigo imaginário, eu tento me transformar em uma boa amiga imaginária pra você. Tento desejar que você me crie como eu sou, e que se sinta feliz por isso. Enquanto isso, querido amigo imaginário, eu procuro um nome pra você. Já tentei solidão, mas não combina contigo. Já tentei saudade, mas você não deixa eu me sentir assim. Já tentei tanta coisa! Agora, querido amigo, estou me esforçando pra poder te chamar de amor.
Antes que você se rebele querido amigo imaginário, saiba que não falo desse querer com o qual você me quer. Falo de outros quereres, outros beijos, outros abraços, outras intenções. Outros fins, outros banhos de chuva, outros sonhos ao dormir junto. Saiba querido amigo, que meu desejo de "eu te amo" é um pouco diferente nesse momento. E isso não me faz tão bem quanto parece, como você deve imaginar. E não faz mesmo. Ainda estou decidindo se gosto ou não dessa esperança, se acredito ou não nela.
Ainda bem que você existe, meu querido amigo. Ainda bem que tenho você pras minhas palavras soltas, pros meus risos sem fim(ns), pros meus desejos malucos, pras minhas insônias. Ainda bem que você existe pra me amar de alguma forma, mesmo que não seja "daquela" forma. Ainda assim eu me sinto querida, me sinto gostada, me sinto bem por isso. Sem fronteiras, sem motivos, sem questionamentos. Apenas sentir. E bem.
Talvez, querido amigo, você se pergunte por que você não me ama. Eu te criei, eu te alimentei, eu te fiz (e faço) real. E porque não alguém que me ame?
Sabe meu querido amigo, eu queria alguém pra conquistar. Alguém que quisesse ficar comigo, e ficar feliz com isso. Entenda meu bem, mas não me entenda mal. eu gosto de você, estou satisfeita demais contigo. Você me orgulha, me faz bem. Sempre e sempre. Não queria uma conquista de troféu, não queria uma conquista de ego e orgulho. Não quero uma conquista que me diga sobre o "poder fazer". Eu quero uma conquista além da pele, do cheiro, do olhar. Também isso, mas a conquista do estar junto sem por que.
Mas a verdade, meu querido amigo imaginário, é que essa existência de um amigo-amor é coisa da minha cabeça. Um amor imaginário, um sonho diário. Uma coisa qualquer. Sabe, querido amigo imaginário, seria bobagem pensar em um amigo-amor, criar um amor só meu. Seria uma coisa... Uma coisa. Uma daquelas que a gente perde o controle e cria uma criatura que, definitivamente, não vai fazer bem a ninguém. Eu não quero criar um querido-amante-sofrimento-real, eu só quero... Sorrir.
É, eu sei, querido pensamento doce, que amizades sempre podem ser amores. Que amores são também amizades. São paixões de pele, de carne e osso, de querer grudar no outro até não sair mais... Sei, sei que tudo isso fica melhor com amizade. Mas eu já tentei, querido amigo imaginário, eu tentei. Deus é testemunha, se ele existir. Eu fiz de tudo, passei por todas as etapas. E sofri, mas pulei a fase do "amor". Já ele, meu querido amigo, já ele simplesmente parou na fase da pele. Na fase do toque, que eu nem sei se significou algo pra ele.
Sabe querido amigo, até que superei. Até que consigo deixar isso pra lá, até que consigo viver sem isso. Até que aprendi a conviver sem saber se fui algo, se conseguiria ser algo. Não pra ele, mas pra qualquer um. Pra ele também, porque não?
É meu querido amigo imaginário, eu vim aqui pra desabafar contigo, pra te alugar só mais uma vez. Vim pedir clemência, vim pedir pra você não me odiar por isso. Olho, eu te amo, meu amigo. Amo você, com um monte de forças, com tudo que eu lembro que tenho. Mas amigo, não é esse amor que eu quero ter, não é esse amor que eu quero dar. Meu querido amigo, eu agradeço todos os dias por você não ir embora. Ao contrário do que você pensa você é a maior e mais poderosa criatura que eu conheço, e pode sim ir embora quando quiser. Mas não faz isso, por favor. Eu não ia gostar. Nem quero saber se aguento, não quero pensar nisso.
Querido amigo imaginário, eu acho que por hoje chega, não quero abusar de você e da sua paciência. Não quero te alugar com todo esse sentir inútil. Não quero destruir o seu humor com esse coração oco que eu tenho. Não vou te pedir um coração, querido amigo imaginário, não vou te pedir nada. Nem posso, nem devo. Querido amigo imaginário, eu só quero que fique. Eu sei que posso esquecer todo esse falatório sobre amores e a falta deles. Sei que posso ser assim, sei que posso amar, sei que, algum dia, posso falar tão bem quanto você sobre isso. Quando eu conseguir falar de saudade como você, quando eu conseguir tirar esse resto trucidado de animal sofrido, quando eu trocar isso e preencher aquele pedaço destinado a um coração que sente você vai me amar de verdade, querido amigo imaginário? Você vai sentir saudades, vai me querer perto de você? Vai me ajudar com amores e com dores?
Querido amigo imaginário, eu espero poder amar, espero poder sentir um dia. Espero poder cuidar de você e te fazer rir sem ser com cócegas. Espero que você saia da minha cabeça e se torne alguém concreto, alguém de beijar, alguém de sentir, alguém de abraçar e dormir junto. Enquanto isso, amigo imaginário, eu tento me transformar em uma boa amiga imaginária pra você. Tento desejar que você me crie como eu sou, e que se sinta feliz por isso. Enquanto isso, querido amigo imaginário, eu procuro um nome pra você. Já tentei solidão, mas não combina contigo. Já tentei saudade, mas você não deixa eu me sentir assim. Já tentei tanta coisa! Agora, querido amigo, estou me esforçando pra poder te chamar de amor.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Harmonia
Beba meu sangue enquanto você pode
Deste coração sem veias que sempre explode
O cálice sagrado virou a maldição
Daqueles que agarraram a fé com duas mãos
E derramaram o sangue do cordeiro em vão
As cordas da sua lira enforcaram a melodia
Do canto da última alma que pedia
Um pouco de paz, ou apenas mais um dia
Esconda a sua inocência
De um julgamento precipitado
Só mais uma das sentenças
Que você poderia ter evitado
As marcas na parede
Os olhos inertes
Há quanto tempo que o tempo
No seu labirinto se perde?
Corte seus pulsos, sem minhas veias você não sangrará
É só mais um jogo que a sua mente insiste em jogar
Deitado no leito de morte da esperança
Um dia você já teve a inocência de uma criança
Mas agora ela só é uma lembrança
Fora da jaula o animal se mostra cruel
Receba a maldição como uma benção do céu
Fora da noite, em direção à luz
Apenas o medo te faz lembrar da cruz
Pergunte às nuvens, elas dirão “o culpado és tu”
As vigas que sustem a sua harmonia
Logo vão cair, mais dia, menos dia
Um pouco de paz da sua bela melodia
Esconda a sua inocência
De um julgamento precipitado
Só mais uma das sentenças
Que você poderia ter evitado
As marcas na parede
Os olhos inertes
Há quanto tempo que o tempo
No seu labirinto se perde?
Deste coração sem veias que sempre explode
O cálice sagrado virou a maldição
Daqueles que agarraram a fé com duas mãos
E derramaram o sangue do cordeiro em vão
As cordas da sua lira enforcaram a melodia
Do canto da última alma que pedia
Um pouco de paz, ou apenas mais um dia
Esconda a sua inocência
De um julgamento precipitado
Só mais uma das sentenças
Que você poderia ter evitado
As marcas na parede
Os olhos inertes
Há quanto tempo que o tempo
No seu labirinto se perde?
Corte seus pulsos, sem minhas veias você não sangrará
É só mais um jogo que a sua mente insiste em jogar
Deitado no leito de morte da esperança
Um dia você já teve a inocência de uma criança
Mas agora ela só é uma lembrança
Fora da jaula o animal se mostra cruel
Receba a maldição como uma benção do céu
Fora da noite, em direção à luz
Apenas o medo te faz lembrar da cruz
Pergunte às nuvens, elas dirão “o culpado és tu”
As vigas que sustem a sua harmonia
Logo vão cair, mais dia, menos dia
Um pouco de paz da sua bela melodia
Esconda a sua inocência
De um julgamento precipitado
Só mais uma das sentenças
Que você poderia ter evitado
As marcas na parede
Os olhos inertes
Há quanto tempo que o tempo
No seu labirinto se perde?
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