quinta-feira, 2 de abril de 2015

Sobre a dúvida

Uma coisa sobre estar no mundo e refletir sobre ele é que você começa a se importar mais com a forma como as coisas perdem o sentido e a cor do que com as coisas que nascem e crescem cheias de vida ao seu redor. Um belo dia você acorda e nada é do mesmo jeito. Nada tem cor o suficiente, brilho o suficiente, amor o suficiente. Uma coisa sobre estar e refletir no mundo, é perceber sua própria vida, mas fatalmente decair para a morte, para o irreal. Para o que pode ser que nem aconteça. Até o momento em que você acorda, levanta e se pergunta quando foi que você deixou tudo passar. Em que momento você perdeu o controle, perdeu o viço. Quando foi, qual o acontecimento da sua vida que te fez desacreditar de tudo e procurar uma sobrevida segura. Até aquele dia. O dia em que você cansa de "viver" e quer simplesmente sorrir. Quer perder as aspas, o medo, a timidez diante do mundo. Chega um dia - e tomara que chegue - em que você vai estar em um caminho que você não queria e que talvez você nem sinta que tenha escolhido, não voluntariamente. Mas você está lá, e ninguém te obrigou a estar.
Ainda assim, mesmo que você não se reconheça, esse é você.

Cada vez que acordo de manhã, demoro algum tempo para levantar. A primeira coisa que me vem à cabeça é o tempo que passou pra mim. Mais um dia, que se transforma em mês, em ano. Mais um passo, mais lento do que sonhei, mas cinza do que desejei, menos alegre do que planejei. Cada vez que acordo de manhã, demoro um tempo para levantar, porque fico procurando pela Sweetie, me perguntando quando me tornei Sour, quando as pessoas passaram a me definir tão implacavelmente e de modo tão negativo, quando eu me sinto tão dócil, indefesa e frustrada diante da vida. Cada arma que perco na luta pela felicidade.

Sempre digo, e sempre é verdade que não vale a pena ficar amargurado pelas coisas ruins da vida. Não faz sentido se definir e definir seus atos pelas coisas ruins que te aconteceram. Porque ter medo de amar? Porque ter medo de sorrir? Às vezes nós fazemos jus ao título de amargurado, bravo, nervoso e triste. Mesmo não querendo. Mesmo não sendo. As vezes nos deixamos definir por algo que não somos. Até aquele dia - que se não chegou, vai chegar.

Se for pra viver, que seja sem medo, sem aspas, sem meias-palavras. Se for para dizer que seja bem dito, sem sussurros. Se for para saltar, que seja do alto, olhando para todos ao redor. O medo vai estar lá, mas ele estaria de qualquer forma. Então você pode se aproveitar dele, como já se aproveitaram de você.

Você já se deparou com todo tipo de gente. Mesmo as ruins. Mesmo as maldosas, e até com aquela que se aproveitou da sua ingenuidade. Mas em que momento ser ingênuo se tornou algo ruim? Quando foi que nós começamos a desconfiar de todos à nossa volta? Como é para você se doar e estar de braços abertos para a vida depois de se tornar aquela pessoa amargurada, com as energias ruins e o coração pesado?
Sabe, eu prefiro ser ingênua. Ser surpresa diante da vida, se for preciso, me cobrir de incertezas. Sei que vou ter medo, sei das minhas dúvidas, sei que vai doer. Se tem uma coisa que a vida me mostrou é que chega um momento que não é mais tão fácil. E se eu estou tentando, porque preciso ser definida pelos meus erros?

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